sábado, 27 de março de 2010

O que as moradias escondiam era muita sujeira e descaso de todos

                       Foto: Quetila Ruiz

Este é o cenário encontrado depois do desabamento das casas no bairro Triangulo, após as fortes chuvas do início do ano.
Muito lixo, como, eletrodomésticos, sofás, muitas garrafas pets, fraldas descartavéis e outros objetos podem ser vistos no local. 
                             Foto: Quetila Ruiz

A sujeira contamina o córrego que desemboca no rio Madeira e traz riscos de doenças para todas as famílias do bairro. Alguns moradores, alegando não ter para onde ir, ainda tentaram voltar para os locais de risco depois do desabamento das casas. A prefeitura está construindo um conjunto habitacional para estas famílias há cerca de um ano.

Sugestão enviada pela colaboradora Quetila Ruiz, jornalista.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Ruas da capital mais parecem queijo suiço

                                                                                     

Cristiane Lopes
                                                                                           Foto: Cristiane Lopes
Um verdadeiro queijo suíço. Dá até para pensar que estamos falando de comida, mas na realidade, essa foi a expressão utilizada por uma moradora da cidade de Porto Velho, ao falar da situação em que se encontra a rua onde mora. Vagnéia Aparecida reside na rua Percy Holder,no bairro Cidade do Lobo há três anos. Segundo ela, durante esse tempo nunca viu uma máquina da prefeitura enfrente a casa dela.


“Não aguentamos mais está situação, principalmente agora, na época da chuva. Lavar o carro nem pensar, pois não temos como desviar dos buracos. Se saímos de um, caímos no outro. A rua está um verdadeiro queijo suíço”, reclamou.
                                                                                          Foto: Cristiane Lopes
O que deixa a moradora ainda mais indignada é o fato de a rua ser linha de ônibus, e nem por isso recebe a devida atenção das autoridades. Aparecida disse que já reclamou várias vezes na Secretaria Municipal de Obras (Semob), mas nenhuma providência foi tomada.


“Só quero poder sair da minha casa e não ter que cair em tantos buracos. É grande a quantidade de carro que passa por aqui. O trânsito pesado e as
chuvas contribuem para piorar a situação. 
O poder público precisa tomar providências”, afirmou.


Sugestão enviada por Vagnéia Aparecida, moradora do bairro Cidade do Lobo

terça-feira, 16 de março de 2010

Pessoas vão para as ruas por causa das drogas

  

Matéria publicada no jornal O Estadão do Norte, em 2009


 Larissa Moreira

É no Centro da cidade, que se concentra o maior número de moradores de rua da capital. Grande parte é dependente de drogas psicoativas e tem alguma ligação com o tráfico de entorpecentes. Além das drogas, a maioria também é usuária de álcool. Parte dessas pessoas tem família, e saíram de casa por conta de problemas familiares causados pela dependência química.

Franciano Seixas, 19 anos, é um desses casos. Morador de rua desde os 14 anos, decidiu ir embora de casa, porque passou a trocar objetos, como ferro de passar, ventilador e relógio, da casa da mãe, por droga. “Antes que as coisas piorassem e que eu começasse a pegar objetos de valor maior, resolvi sair de casa”, lembra.

O jovem conta que consegue, de 15 a 25 reais por dia. Com esse dinheiro, ele compra comida, roupa, calçado e droga. “Uso maconha, sempre compro um pouco pra fumar depois do trabalho”, afirma. Segundo Franciano, há um lugar no Centro da cidade, que ele preferiu não revelar, onde os moradores se reúnem para conversar durante a noite, usar drogar e dormi.

Aroldo Araújo morou nas ruas de Porto Velho, por 15 anos, usava todos os tipos de droga. Voltou a morar na casa da família há três anos. Hoje cuida de carros, e com o dinheiro que arrecada, de 30 a 40 reais por dia, ajuda no sustento da mãe e dos três irmãos. “Cada pessoa, dá 30, 40 ou 50 centavos. Às vezes, quando demos sorte, recebemos um real”, ressalta.

Não é só pessoas de pobreza absoluta que fazem parte deste submundo. Há também aqueles que abandonam a família para se aventurar nos semáforos e praças, e ganham dinheiro fazendo malabares ou qualquer outro tipo de arte nas ruas. Edson Ferreira, há dois anos resolveu tentar ganhar dinheiro através da arte de rua. Ele faz malabares nos semáforos das principais ruas da capital, arrecada de 20 a 30 reais por dia.

PESSOAS INVISÍVEIS


Os moradores de rua se dizem abandonados, principalmente pelo poder público. “Não recebemos nenhuma ajuda da prefeitura. Mesmo trabalhando e dormindo aqui na frente, é como se fossemos invisíveis aos olhos dos governantes”, afirma Aroldo Araújo. O flanelinha, diz que tem título de eleitor, mas só vota, pelo pouco de esperança que resta num futuro melhor e porque é obrigatório.

Ele se lembra do tempo, em administrações anteriores, que muitos deles receberam auxílio para qualificação profissional e empregos. Hoje os que moram nas ruas, só recebem ajuda da igreja, que distribui sopa, durantes algumas noites.

Aroldo diz que estudou somente até a 4ª série do ensino fundamental, e que por conta disso, fica ainda mais difícil de conseguir um emprego. A opção para driblar a falta de emprego segundo ele é trabalhar nas ruas.
O jovem Franciano, explica que cursou até a 2ª série do ensino fundamental. Na próxima semana irá ao exército para tentar conseguir o documento de reservista. Ele explica que com este documento, fica mais fácil conseguir um emprego. Pretende trabalhar na área de marcenaria e serralheria. “Aprendi estas funções com meu pai, e quero ganhar a vida com isso. O maior objetivo é trazer a mãe, que mora no estado do Mato Grosso.

Foto: Eliênio Nascimento

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

“Fazer o Bem, Faz Bem!”



Artigo Publicado da Coluna "Agenda de Repórter"
do Jornal O Estadão do Norte - Edição 28/01/2010


Larissa Moreira

Nos últimos meses aprendi a valorizar ainda mais tudo que tenho, mãe, irmãos, casa, comida, estudo, oportunidades, e saber que é preciso sempre ajudar o próximo. Ouvi histórias de famílias que estão sendo destruídas pelas drogas, de meninas apaixonadas por traficantes, de jovens que só precisam de uma opção de lazer e qualificação profissional, de mães que cuidam sozinhas dos filhos e netos, de pacientes que sofrem à espera de atendimento, tratamento. De pessoas que apesar de todos os problemas, continuam lutando pela vida e acreditando que tudo vai dar certo.
Por trás dessas pessoas sempre existe alguém que luta por estas causas com todas as forças. Pessoas que não ganham quase nada em troca do que fazem. Ouvi a ex-diretora de uma unidade de saúde da cidade, em seu último dia de trabalho, falando que “Fazer o bem, faz bem!”, ela gosta de ajudar cada pessoa, porque ela sabe que a comunidade só quer ser bem atendida, acolhida e tratada, e que só precisa de oportunidade.
Outras pessoas que ajudam sem olhar a quem, são os conselheiros tutelares. Conversando com uma conselheira, ela me contou que já comprou comida, roupa e brinquedos com o próprio dinheiro, para as famílias carentes que acompanha. Ela disse que o mais importante é lutar pela conservação da família, que é a base do caráter da pessoa.
É nessas horas que apesar de tudo porque passo, continuo acreditando na bondade do ser humano. Tenho certeza de que valeu a pena escolher esta profissão e que realmente consegui fazer a escolha certa. Pois ser Jornalista, permite fazer a minha parte para lutar pelos problemas sociais enfrentados por muitos. Apesar de não poder conseguir a solução para todas as situações que já vi, sinto que com o meu trabalho ajudei a solucionar ou encontrar alternativas para vários casos. Estar em contato com as pessoas, me permite um aprendizado todos os dias, com todas as histórias que escuto e presencio.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Bairro Nacional ainda sem solução

Foto: Larissa Moreira

A comunidade fechou a principal via do bairro no mês passado


O bairro Nacional, na zona Norte de Porto Velho, continua abandonado. Os moradores fecharam a principal via de acesso ao Bairro, principalmente dos caminhões de cargas, no dia 17 de novembro. Autoridades estiveram no local e se comprometeram a atender as reivindicações da comunidade, mas até agora nada foi resolvido.

Durante a manifestação, estiveram no local, secretários da prefeitura,vereadores e deputados, se comprometendo a ajudar. De acordo com moradores, algumas máquinas foram vistas somente no primeiro dia. “Depois de dois dias tudo sumiu e o trabalho ficou inacabado, largado de qualquer jeito”, ressalta um morador que preferiu não se identificar.

Em entrevista ao Blog "Os Megafones - Jornalismo Cidadão", o representante da prefeitura na Câmara de Vereadores de Porto Velho, vereador Marcelo Reis afirmou que as reivindicações dos moradores do bairro Nacional seriam atendidas na medida do possível.

Os principais problemas, segundo o presidente da ASCOMABAN (Associação Comunitária Moradores e Amigos do Bairro Nacional), Ilzomar Araújo, os principais problemas enfrentados no bairro são: falta de iluminação pública, falta de vagas na única escola do bairro e pouca sinalização nas vias onde passam todos os tipos de veículos. “Os caminhões são os mais perigosos”, explica.

A Associação pretende se reunir novamente para cobrar atitudes dos órgãos responsáveis. “Já estamos nos reunindo e vamos aos gabinetes, as secretarias para cobrar soluções, se não resolverem vamos fechar novamente as ruas”, informou o presidente.


Matéria com base no texto enviado pela colaboradora Quetila Ruiz